Hospital São José – Captação de doadores de medula óssea

Hospital São José – Captação de doadores de medula óssea
0 21 de setembro de 2015

HOSPITAL SÃO JOSÉ PROMOVEU MUTIRÃO PARA CAPTAÇÃO DE DOADORES DE MEDULA ÓSSEA

A expectativa é de que, entre os voluntários seja encontrado um doador compatível com uma estudante calçadense, que há um ano, descobriu ser portadora de leucemia rara.

 

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Geórgia tem 14 anos

 

Na vida passamos por circunstâncias e tempos tão complicados que nos fazem perder a linha do raciocínio e muitas vezes temos que ‘puxar o ar’, contar até 10 e manter a calma. E quando o portador (a) de leucemia recebe a noticia que a enfermidade progrediu e a única saída é o transplante de medula óssea, há duas opções: desesperar ou manter a calma. Acreditar em uma força suprema é a chave para superar o infortúnio e fazer dele um aprendizado de um filme da vida real, onde não possui atores hollywoodianos e o diretor não pode escolher o final do longa-metragem. Em São José do Calçado, no Sul do Estado, a estudante Geórgia Dias de Rezende Feres, de 14 anos, há um ano, descobriu ser portadora de leucemia rara Trifenotípica (LMA, LLA T e LLA B).

 

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A solidariedade falou mais alto

 

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Ela ficou Internada no Hospital das Clínicas de São Paulo – HCFMUSP, entre os dias 18/08 a 12/09 e, aguarda um doador de medula óssea compatível, travando uma dura batalha pela vida desde 24 de maio de 2014. E provando que todo ser humano por mais que seja imperfeito, nas horas mais difíceis, esquece as diferenças sociais e mostra seu espírito solidário, a equipe do Centro de Hemoterapia e Hematologia do Espírito Santo – HEMOES esteve em São José do Calçado, entre os dias 10 e 11 de setembro, para coleta de sangue visando a captação de doadores de medula óssea. Na oportunidade mais de 500 pessoas compareceram ao Hospital São José do Calçado, no entanto foram feitas apenas 500 coletas, limite máximo estabelecido pelo núcleo, respeitando a liminar das portarias do Ministério da Saúde que limitam doação de medula para cada Estado.

Funcionários do Hospital São José do Calçado, o bioquímico do Laboratório Kashima De Analises Clinicas Ltda em São José do Calçado, Carlos Fernando de Oliveira, funcionários da Secretaria Municipal de Saúde e voluntários da área de saúde, mostraram muita solidariedade durante os dois dias de coletas, em prol de Geórgia Dias, que desde maio de 2014, se submete a sessões de quimioterapia, incluindo uma passagem pela UTI, quando agora a única alternativa para salvar a sua vida é o transplante de medula óssea, uma vez que a chance de encontrar um doador compatível é de uma pessoa a cada cem mil doadores.

 

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Funcionários do HSJC participaram do ato solidário. A aposentada Carlinda Abreu (1ª da foto), doou dois dias de sua vida para ajudar na coleta.


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O bioquímico do Laboratório Kashima De Analises Clinicas Ltda em São José do Calçado, Carlos Fernando de Oliveira, coletando sangue.

 

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O ato solidário contou com a presença de voluntários de vários municípios dos Estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro. Eles tiraram dois dias de suas vidas para ajudar aqueles que assim como a estudante Geórgia precisa de um transplante de medula óssea para seguir suas vidas normais. A família da adolescente portadora de leucemia rara no Brasil agradeceu a todos pelo ato de solidariedade humana.

1954

Geórgia Dias, de 14 anos, busca encontrar um doador de medula óssea compatível que possa lhe salvar a vida. Nos últimos dias, umas das suas três leucemias, a leucemia transitória (LT), tipo de leucemia infantil, também conhecido como a mielopoiese anormal transitório ou leucemia mielóide transiente aumentou, motivo o qual a obriga a correr contra o tempo para se curar de uma forma rara de leucemia, caso único no Brasil, uma vez que o primeiro caso detectado no mundo foi em 1954.

E na luta para encontrar um doador compatível, os pais da adolescente pedem que voluntários busquem os centros especializados e façam o cadastro. Em São Paulo, cidade em que parte da família reside, as doações são centralizadas na Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e é possível, inclusive, adiantar o processo fazendo um registro online no site do hospital.

No fechamento da reportagem a família de Geórgia comunicou que a jovem havia recebido alta hospitalar e já estava em casa. Porém na segunda-feira (14) retorna com a sessão de quimioterapia.

GUAÇUÍ

 

O segundo mutirão para coleta de sangue visando a captação de doadores de medula óssea em prol a Geórgia Dias acontecerá nos dias 23 e 24 de setembro, em Guaçui, município vizinho. Os horários ainda serão marcados.  Qualquer pessoa entre 18 e 55 anos com condições boas de saúde poderá fazer a doação. Será colhida uma pequena porção de sangue (quatro mililitros) para teste e o doador não precisa estar em jejum.

Esclarecimento sobre como funciona a cota para cadastro de doação de medula

É notório que o Ministério da Saúde estipulou uma cota de quantitativos de exames que podem ser feitos nos Estados em referencia a Captação e Doação de Órgãos. No estado do Espírito Santo o cadastramento como doador de medula óssea é realizado no Hemocentro de Vitória (Hemoes), que fica em Maruípe. E quando tal cota é atingida, eles pedem ao doador que volte no próximo mês para realizar o cadastro, que sempre é acompanhado da coleta de sangue.

O Órgão teve que se adequar, uma vez que as campanhas promovidas pelo mesmo têm que atingir uma maior variabilidade genética, ou seja, buscar doadores em lugares como, por exemplo, comunidades, indígenas, quilombolas, italianas e alemãs. E no Brasil tem uma diversidade muito grande, há muitos doadores cadastrados, mas poucos são compatíveis, sendo que 20% das amostras coletadas nas campanhas costumam ser de doadores que já são cadastrados, quando muitas vezes a pessoa vê a campanha, se cadastra visto que esqueceu que já havia se cadastrado anteriormente. Assim há a necessidade de se organizar para ver os municípios que há menos doadores cadastrados para organizarmos futuras campanhas.

PARA QUEM FAZ O CADASTRO

Tem que gozar de boa saúde e ter entre 18 e 55 anos. O doador (a) preenche um formulário com dados pessoais e é coletada uma amostra de sangue com 5 a 10ml para testes, que determinam as características genéticas que são necessárias para a compatibilidade entre o doador (a) e o paciente.

É bom frisar que os dados pessoais e os resultados dos testes são armazenados em um sistema informatizado que realiza o cruzamento com dados dos pacientes que estão necessitando de um transplante. Porém em caso de compatibilidade com um paciente, o doador é chamado para exames complementares e para realizar a doação.

Ressalva que não é tão fácil como se parece, pois há o problema da compatibilidade entre as células do doador e do receptor, uma vez que a chance de encontrar uma medula compatível é, em média, de uma em cem mil. Deve-se manter atualizados os dados cadastrais para facilitar e agilizar a chamada do doador no momento exato.

O resultado do exame é enviado para o Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), no Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), onde são realizados cruzamentos de dados com receptores no Brasil e no mundo. Apontada a compatibilidade, repete-se o exame para confirmar e a doação da medula poderá ser realizada por meio da coleta de 500 mililitros de sangue ou de 20 mililitros do osso ilíaco da bacia, ressaltando que o segundo método é mais complexo, exigindo anestesia local e internação de até 24 horas.

Onde doar

Nos Centros de Hemoterapia e Hematologia (Hemoes), em Vitória, Colatina, São Mateus, Linhares e Serra. Informações: (27) 3636-7921.

CARÊNCIA

No Espírito Santo, nos dois últimos anos, o número mensal de pedidos de exames de medula óssea subiu mais de dois mil por cento e, sequer 4% da população capixaba é doadora de medula óssea. São cadastrados 100 mil doadores, que representa apenas 3,5% da população capixaba suscetível a doar, pessoas com idades entre 18 e 55 anos.

Fonte: www.last-minutenews.blogspot.com.br

Por Sérgio Oliveira
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Fotos: Sérgio Oliveira